Na hora da partida...
O mais difícil não é a saída.
Tão pouco a despedida.
Difícil é a partilha.
Dói nesta hora referida...
Deixar para trás coisas construídas...
Que se foi juntando durante toda uma vida.
Fácil é curar as feridas... Deixar mágoas adormecidas.
Na hora da partida...
É fácil esquecer coisas sofridas...
E saber que já se foi esquecida...
Que há muito não se é querida.
Dói nesta hora ver surgida...
Não restar outra alternativa...
Que não lutar e recomeçar a vida...
Esquecendo quem nos manteve iludida.
O que dói na hora da partida...
Não é abandonar guerras vencidas...
Tão pouco as batalhas perdidas...
Quando resta esperança... Expectativas.
Na hora da partida...
É jubiloso sentir-se nutrida...
Capaz de uma atitude revertida...
Em busca de uma existência rejuvenescida.
Somente dói, nesta hora antes repelida...
Saber o tanto que se fez sem ser reconhecida.
Ter a sensação dolorida...
De que se é Metade... Está-se repartida.
Na hora da partida...
É maravilhoso abandonar estigmas.
Reconfortante largar enigmas.
E recomeçar... Interativa.
Sem medo... Enfrentar tudo sem fadiga...
Largar tudo... Sem tornar-se inimiga.
Recomeçar... Em novo ponto de partida.
Confiante... Na própria investida.
Autora: MARILENE MEES PRETTI